Companhia das Letras compra Brinque-Book e amplia investimento infantil

A Companhia das Letras anunciou nesta sexta-feira a compra da Brinque-Book, uma das principais editoras nacionais de livros infantis. Com o movimento, o grupo se consolida ainda mais como gigante do mercado e abocanha fatia significativa da literatura brasileira para crianças -um foco prioritário da Companhia e da Penguin Random House, conglomerado americano que hoje controla a maior parte de suas ações. A ideia é que a Brinque-Book se mantenha como marca própria, sob o comando de Júlia Moritz Schwarcz, publisher dos selos infantis da Companhia, mas ainda com Elisa Zanetti como editora. O plano é integrar os 23 funcionários da empresa, além de incorporar os 312 títulos ativos do catálogo. A editora fundada há 30 anos por Suzana Sanson é dona das histórias do elefante Gildo, de Silvana Rando, premiado com o Jabuti e que acaba de lançar uma edição comemorativa de dez anos. Outras obras populares são "O Urso Rabugento" e "Bruxa, Bruxa, Venha à Minha Festa". A iniciativa da venda partiu da Brinque-Book. Em coletiva de imprensa, Sanson afirmou, emocionada, ver o movimento como o encerramento de um ciclo natural. "Foi uma filha que criou asas e que agora vai para a maior editora do Brasil. Estou feliz de terem querido a Brinque, que vai formar família com a Companhia das Letrinhas e a Pequena Zahar." A Companhia das Letrinhas foi fundada há 28 anos por Lilia Moritz Schwarcz, seis anos depois do nascimento da editora e seu primeiro momento de atenção ao infantil. A Pequena Zahar veio junto com a aquisição vultosa de sua empresa-mãe no ano passado. Luiz Schwarcz, presidente da Companhia, ressaltou a afinidade entre os catálogos das editoras e classificou o processo de aquisição como harmonioso. Afirmou que o movimento não partiu de uma pretensão de hegemonia de mercado, mas detalhou a estratégia financeira que o embasa. "Um fato importante da pandemia foi que as vendas de catálogo cresceram brutalmente, muito favorecidas pela venda online. Letrinhas, Pequena Zahar e Brinque-Book são típicos investimentos de catálogo, de longa duração", disse, acrescentando que a área de educação foi a única no grupo que não freou com a crise aberta pelo coronavírus. "O infantil é hoje possivelmente a área com mais crescimento no mundo." Júlia Moritz Schwarcz ressaltou o interesse em solidificar, sem rupturas, uma marca com forte reconhecimento entre professores e educadores. "Minha maior preocupação é honrar com o trabalho que a Brinque-Book fez até aqui e manter a identidade dos nossos três selos infantis." O grupo prevê lançar 75 obras para crianças no próximo ano -21 títulos da casa recém-adquirida, 46 da Letrinhas e oito da Pequena Zahar. Quando comprou a tradicional editora carioca Zahar, em outubro passado, a Companhia já havia ampliado seu domínio do mercado editorial para algo como 12% do total. Agora o grupo fundado por Luiz e Lilia Schwarcz conta com 18 selos. OS 18 SELOS PÓS-FUSÃO Companhia das Letras Literatura e obras de nãoficção de valor literário Zahar Ciências humanas e sociais, e clássicos da literatura Companhia das Letrinhas Literatura infantil Pequena Zahar Idem Penguin-Companhia Clássicos da literatura e do pensamento universal, no formato Penguin Objetiva Autoconhecimento, história, ciência e biografias Alfaguara Originalmente uma editora espanhola; dedicado à literatura Suma Suspense, fantasia e terror Portfolio-Penguin Economia e negócios Quadrinhos na CIA HQs de reconhecida qualidade artística e literária Paralela Selo comercial do grupo, com publicações de ficção e não ficção Fontanar Não-ficção com foco em bem-estar. Companhia de Mesa Gastronomia Seguinte Ficção e não ficção juvenil Claro Enigma Temas da atualidade, com vocação para adoção escolar Boa Companhia Antologias de grandes autores para formação do hábito de leitura entre jovens Companhia de Bolso Livros do grupo em formato menor Brinque-Book Selo infantil recém-adquirido