'Jamais quis taxar livros', diz Guedes após enviar projeto que permite taxação de livros

O ministro da Economia, Paulo Guedes, negou nesta terça-feira (4) ter um projeto que eleve impostor sobre livros. A fala do titular da pasta acontece após um documento da Receita Federal afirmar que pessoas mais pobres não consomem livros não didáticos e o próprio ministro ter enviado ao Congresso, no ano passado, que abre caminho para a taxação de obras literárias.

A proposta de Guedes une dois tributos, o PIS e a Cofins, em um só imposto, a Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS), que incidiria sobre o mercado editorial.

“Eu jamais tive um projeto de taxar livros”, afirmou Guedes, em debate com deputados. “São aquelas coisas que saem do controle. Inventam uma mentira e ficam repetindo até funcionar”.

O fisco publicou um documento em abril respondendo dúvidas sobre o novo imposto que pode ser criado. Conforme noticiou a Folha de S. Paulo, um dos pontos explica por que o novo tributo será cobrado na venda de livros.

“De acordo com dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2019, famílias com renda de até dois salários mínimos não consomem livros não didáticos e a maior parte desses livros é consumida pelas famílias com renda superior a dez salários mínimos”, diz o documento.

Segundo a publicação do jornal paulista, ao negar a proposta de taxação de livros, o ministro Paulo Guedes atribuiu as informações sobre a proposta a uma assessora, Vanessa Canado, que auxiliou o ministro na elaboração do projeto do novo tributo. “Ela teria sido acusada de taxar livro. Eu nunca falei em taxar livro”, respondeu Guedes aos deputados nesta terça.